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E quantos mais não haverá, por aí.

por Peixe Frito, em 24.11.21

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Não há meio de controlar o impacto ou a interpretação (semi)livre do que falamos, escrevemos, exprimimos, na outra pessoa. Há-de sempre existir aquele filtro, aquela membrana existêncial que toca no outro conforme as suas vivências, experiências, traumas, pensamentos, e é essa a conexão que é feita, com base nisso. Nas próprias bases da experiência e registos de vida, daquela pessoa. Do mesmo modo, que não controlamos a percepção que o outro poderá tecer do nosso ser: os juízos, dependem sempre do discernimento e valores do outro. Sempre fui uma criança diferente das da minha idade, observava tudo com olhos mais experientes e a maturidade sempre foi assente na minha maneira de ser. Não que não fosse criança, porém, haviam traços ali já muito presentes. Como adolescente, como adulta, isso continuou a reflectir. Tanto que o círculo que me rodeava em várias fases da vida, maioritariamente eram bem mais velhos que eu. Há uma certa sensação de estranheza, aquando pessoas com mais de 20 anos que eu, dão feedback dos meus traços de personalidade que, eu habituada a eles e sem dar assim grandes valores, os valorizam e tecem elogios, de alguém com esta idade (e antes igualmente) ter tanta estaleca de vida, quando alguns ainda sonham com o que já vivi. Às vezes sinto que vivi as coisas antes do tempo de todos, que os caminhos que alguns pisam agora e é novidade, já eu percorri há uma década. Escolhas, provavelmente. Cada um percorre o caminho que quer e como quer e enriquece-se como mais lhe apraz. Não deixa de ser impactante observar como a essência do ser faz conexão com pessoas bem mais velhas do que com as de idades similares. Nestas alturas penso que continuo desenquadrada no pensamento, não sendo antiquada, bem pelo contrário, mas que as incompreensões que às vezes sinto, têm origem na discrepância das experiências de vida e que, mais cedo ou mais tarde, acabam por coincidir com a minha (mesmo que de modo semelhante, pois cada um é mesmo como cada qual). Sensação de alma velha, que busca a sua tribo. E é mesmo isso. Um desenquadrar entre multidões que embora haja similares, muito poucos são os que verdadeiramente veem reflectida na minha essência, a sua própria essência.

Nada de vitimismo ou de excentricidade, que se é um em um milhão. Quando se é singular, é e pronto. Aprender a viver assim e a aceitar que os similares e a sua tribo, mais cedo ou mais tarde, vão cruzar os caminhos da vida.

É uma sensação deveras estranha, sentir que se já viveu um bocado apesar dos anos nos ossos. Quase como o pé está a chegar ao limite da linha, a apalpar o abismo, quando ainda tanto há para viver e descobrir. Tontice, como se a vida tivesse um prazo de dias (que têm, mas de que o contador só disponibiliza aqueles dias de experiência e quando atingidos, cai o pano e acabou a peça, independentemente dos anos que o contador da vida tenha contado) e no meu caso, já vai avançado. Mais do que a média.

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publicado às 12:19


20 comentários

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De Marco a 24.11.2021 às 16:15

Uma escrita profunda, também sou mais observador e mesmo em criança também o era. Há momentos que me sinto uma alma velha, porque não me consigo enquadrar ou aceitar os novos padrões da sociedade, porque para mim não estão corretos.
"já vai avançado" acho que não é verdade .
Sobre a tribo também procuro a minha .
Adorei o teu reflexão , acompanho mais o outro a peixinha que me faz rir, não conhecia esta peixinha, sei que podia ter lido os post antigos e blah, blah, blah mas sou assim quando conheço algo ou alguma coisa não quero saber da sua história, só me interessa o agora.
Um enorme abraço e força.
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De Peixe Frito a 24.11.2021 às 16:46

Olá Marco!
É uma reflexão apenas, de nada conotada de aspectos negativos ou solidão. A sociedade têm maneirismos que em nada enquadram com a minha maneira de pensar (na grande maioria, não vamos pôr tudo no mesmo cesto). A futilidade e materialismo, são algumas delas. O magoar gratuitamente e viver com o ego no topo, são outras.
Olhar para a multidão e ver tanto ser vazio e desprovido de alegria e amor. Lá se vê um ponto de luz ou outro, felizmente.
Não escrevo muito por aqui ahah Este espaço tinha outro intuito que vai indo, que é mesmo o de tocar em quem lê. Fazer reflectir e, talvez, iniciar um processo de mudança
Muita beijoquinha boa e grata pelo comentário
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De Sofia a 24.11.2021 às 19:07

Também sou.uma alma é a minha luta é solitária! Bjs
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De Peixe Frito a 25.11.2021 às 09:25

O que vale é que vamos atraindo quem ressoa com a energia, para ajudar Porque é um caminho de pedras, lá isso é. Mas com muitas rosas
Beijoca grande e boa minha querida
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De João-Afonso Machado a 24.11.2021 às 22:10

"Sensação de alma velha que busca a sua tribo" - gostei muito, feliz modo de dizer regresso.
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De Peixe Frito a 25.11.2021 às 09:27

Olá!
É isso mesmo eheh No fundo todos buscamos onde nos integrarmos, mas quando é de alma, a sensação torna-se muito profunda. Porque é mesmo de essência, de sentir e não de mente e ego. É algo interessante eheh
Muita beijoquinha grande
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De infp a 24.11.2021 às 22:50

Tenho a ideia de que a grande maioria das pessoas se sente assim mas não o expressa. Os que não aceitam esta característica sentem pressão para fazerem parte de uma tribo e não estarem sozinhos, levando-os a criar personalidades "paralelas" às suas para, forçosamente, se sentirem encaixados.
E há os que aceitam e compreendem esse "isolamento" e não sentem essa necessidade de encaixe.
E os sortudos que encontram alguém com quem se sintam bem e compreendidos.
Já notei que as pessoas têm tendência a se sentirem incompreendidas exactamente pelo que dizes - porque cada um tem as suas vivências e herança genética que nos torna únicos - mas continuamos a focar-nos no que nos separa sem compreender que é muito mais o que nos une.
Isto tudo só para dizer que nenhum sentimento nos é exclusivo, tem apenas motivos diferentes para existir.
E juro que já acabei.
Tchaaaaaaau
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De Peixe Frito a 25.11.2021 às 09:35

Olá! Concordo com o que dizes eheh
A tendência é a de encaixar e não a de nos honrarmos como somos. E digo isto nas várias vertentes. Porque não somos aceites ou somos enxovalhados ou etc. (coisas de sociedade a evoluir) Em outro prisma, invés de entendermos que somos de facto um todo, no aspecto de nos complementarmos ou potenciarmos, focamos (te citando) "(...) no que nos separa sem compreender que é muito mais o que nos une". É uma grande verdade. Cada um vê pela lente que têm e isso não quer dizer que seja tanto pior como melhor, apenas diferente.
E sim, muita gente se sente assim e guarda para ela. Ainda é algo a trabalharmos como seres.
Estás à vontade para escrever ahah Eu aprecio partilhas e trocas de ideias. Daí, também, meia volta escrever estas coisas.
Muita beijoquinha grande
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De Ana de Deus a 25.11.2021 às 10:31

abraço terno
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De Peixe Frito a 25.11.2021 às 10:37

Beijoquinha grande e boa e quentinhaaaaaaa
Gosto muito de ti minha querida, só para que saibas
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De Ana de Deus a 25.11.2021 às 10:45



também gosto muito de ti, doce Peixá. só para que saibas
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De Peixe Frito a 25.11.2021 às 11:14

Ah, acho bem. Olha agora... queres ver
Xi-coração grande
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De Isabel Dentinho a 02.12.2021 às 10:30

Não "HAVERÁ" por aí!
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De Peixe Frito a 02.12.2021 às 12:17

Agradecida e um bom dia!
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De Pedro Oliveira a 02.12.2021 às 11:12

A pergunta do título é pertinente:
Quantos mais haverá por aí?
Muitos, certamente, penso que todos nós em determinadas alturas da vida nos sentimos desenquadrados em relação ao que nos rodeia.
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De Peixe Frito a 02.12.2021 às 12:04

Bom dia!
Verdade, mais do que às vezes se têm a real noção. Muitos nem se expressam.
Beijoquinhas
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De Anónimo a 02.12.2021 às 12:59

Para escrever
Ajuda saber
Conjugar o verbo haver
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De Peixe Frito a 02.12.2021 às 13:04

Agradecida
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De s o s a 02.12.2021 às 22:33

por um lado, até admite que hajam bem mais que um num milhao. Mas termina a insistir na singularidade unica.
È clara, pois compara o que é visivel, e esse curriculo nao o tem as outras pessoas proximas ou que se cruzam. E nesta medida, tao concreta, impede comentarios (argumentaçao ) dos leitores.
Fora isso, tirando esse concreto, a parte nao visivel de cada um, criança ou crescido, é apenas isso, por mais iguais que sejam.
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De Peixe Frito a 03.12.2021 às 09:17

Bom dia!
Agradecida pelo comentário e pela visita
Bom fim de semana.

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